terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Armários

Nunca chutei a porta do armário. Saí dele com convicção, mas a passos lentos. Um dia abri a porta, e isso foi o mais difícil. Nessa hora saí do meu próprio armário, contei pra mim mesmo o meu segredo: eu gosto de meninos. Hoje me parece uma bobagem, mas foi complicadíssimo para mim aceitar o fato de que eu não sou aquilo que esperam que eu seja. Aquilo que eu mesmo esperava e tentava ser. Por mais patético que possa parecer, eu tentei ser heterosexual. Mas esse armário já se explodiu, não tenho mais que falar dele. Não hoje, pelo menos. Hoje quero falar de outros armários.
Certa vez vi alguém falar sobre auto-imagem residual em um filme. Algo como a imagem que alguém projeta de si mesmo. Essa imagem é talvez o meu principal armário. É o que mais me prende. É quem me faz correr atrás do que eu quero ser. Algo como uma meta, um objetivo de vida. Esteticamente falando.
Por outro lado, sou um cara desleixado ao extremo. I couldn't care less about myself. Isso é resultado de um excesso de auto-confiança e de boa auto-estima. Me acho tão sensacional que nem preciso mexer com minha aparência. Mesmo que meu cabelo esteja grande, minha barba crescida de uma forma desorganizada, minha barriguinha que não é tão inha assim, um peito digno de sutiã... Mesmo assim eu sou lindão e pegador. Então pra que mexer?
(Não é falta de humildade, é simplesmente como funciona a minha cabeça. E não vou usar desse parêntese para explicar minha auto-estima e auto-confiança porque não é o caso. E também não incluo aqui falta de higiene, e se você pensou nisso você não me conhece at all.)
Eu sou gordinho, sempre fui gordinho e suspeito que sempre serei. Ja tive barriga tanquinho, ja fui fortinho e saradinho. Mas pra isso eu não comia, malhava 24/7, vivia escravo da beleza, desmaiava por falta de alimentação. Passado negro, sim eu tenho passado negro. Enfim, sempre fui gordinho. E sempre serei. So me falta agora admitir isso, pra mim mesmo. Ser sarado not gonna happen for me! Eu ganhei e ganharei várias coisas nessa vida, mas essa eu perdi. E bola pra frente, pô!
Não é fácil pra mim admitir isso. Esse é um dos meus maiores armários, e eu tenho que conseguir sair dele. É minha nova meta, meu novo objetivo. Conseguir admitir pra mim que eu vou ser um gordinho, e que mesmo assim eu vou pegar geral. Preciso me cuidar mais, mas me cuidar da forma certa. Não é comer de tudo o que eu quero quando eu quero e de repente fazer um regime, tomar remedios malucos e começar a correr 1 hora por dia durante uma semana, pra caber num vestido que eu quero tanto usar naquele casamento. Preciso fazer um exercício físico, mas pra ficar saudável. Preciso ser feliz sem culpa. Preciso chutar a porta desse armário e me libertar. Preciso aprender a ser urso.
Ah, se meu desabafo fútil te incomoda, I'm sorry. Like anyone cares.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Risco químico

Preciso te pedir desculpas. Não tive coragem de te falar pessoalmente, fui um covarde. Nunca tinha sido assim, sempre falava o que me vinha a cabeça, doesse a quem doesse. Mas com você, amarelei. Enfim, sem rodeios.
Desculpa por não ter sido como você esperava que eu fosse. Não funcionou, não sei porque... Só sei que não rolou. Tenho a impressão que foi recíproco, mas isso é pura especulação. Afirmo por mim: não rolou, mesmo.
A gente tinha tudo para dar certo, foi sensacional no papel. Na tela do computador, pelo facebook, pelo telefone. A expectativa foi fenomenal. Aí você chegou ao mundo real. No começo, sei lá. Foi estranho. Não foi tudo aquilo, não sei se você também achou... Você é um cara sensacional, bonito, interessante, inteligente... Mas a química, essa dona química. Ela é cruel algumas vezes. Foi comigo. Não teve química. Mas eu não estou escrevendo aqui para falar mal.
Eu só queria mesmo te pedir desculpas. Principalmente por não ter tido a capacidade de te dizer isso tudo cara a cara, como alguém de caráter deve fazer. E eu não consegui. Eu deveria ter mandado você viver a sua vida, ter dito que não foi, que não era o que eu esperava, que não teve química. Talvez tudo tenha ficado bem, talvez você também estivesse pensando o mesmo. E talvez pudéssemos ter construído uma bela amizade...
Desculpe-me, do fundo do coração. Espero que você leia, espero que você me entenda. Espero ser seu amigo, de verdade. E espero talvez um dia conseguir tomar uma cerveja com você. Em Ipanema ou na Savassi, ouvindo Tulipa Ruiz ou Ludov. Mas o mais importante, espero um dia fazer você rir comigo de tudo isso.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Lado B

Eu nunca fui de mendigar nada na vida. Eu sempre me dei muito bem com a solidão. E eu estou indo embora. Com essas 3 frases eu recomeço a escrever. Tive um momento de fraqueza, mas ele passou correndo e ventando. O quê? Reclamar de ter sido abandonado? Isso é no mínimo injusto com os montes de pessoas que gostam e realmente se importam comigo! Não, não fui abandonado e não morri ainda. Estou vivo, vivíssimo! Continuo nesse mundo, mesmo quando a minha cabeça viaja para outros. E se você não me considera mais, caguei. Para cada você tem pelo menos 3 outros que gostam de mim e fazem questão de mostrar isso a cada segundo.
Eu estou indo embora, então da mesma forma que os meu tempo aqui está acabando, o seu tempo comigo também está acabando. E eu tenho certeza que você vai sentir minha falta! Daí, quando eu estiver longe e só a internet puder me alcançar, nem me venha com saudades e chorumelas Você teve o seu tempo e não soube aproveitar. E não venha me dizer que fui eu que me isolei, porque mesmo que isso tivesse acontecido, seria o seu papel me trazer de volta.
Eu vou embora com a cabeça erguida, eu fiz o possível e o impossível. Por tudo, por todos. Só que chegou a minha hora, e aqui não tem mais nada pra mim. Vou levar todo mundo no meu coração e prometo voltar, talvez só pra visitar, talvez volte de vez e daqui nunca mais saia. Isso tá no futuro, e eu ainda não aprendi a usar minha bola de cristal. Só sei falar do presente. E no presente momento eu estou no mesmo local. Por pouco tempo.

E quando eu digo você, é pra você que sentiu a carapuça servindo... Não necessariamente um só.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Círculo vicioso

Pode-se dizer que eu fui isolado, mas uma contra-argumentação facilmente diria que eu quis me isolar. Já aconteceu, inclusive. Eu não sei quem começou o que, sei que eu cheguei no nada. Todo mundo ao meu redor está vivendo uma vida que não me existe. Eu deixei de existir na vida dos outros, e de certa forma deixei de existir também na minha vida. Ou, em termos leigos, deixei a minha vida fluir por mim. As horas, os dias, tudo passa. E eu continuo parado na inércia. Sem dinheiro, sem perspectiva, sem companhia. Somente com os meus cachorros. E com os meus sonhos.
Não, nem sonhos mais eu tenho. Não tem sido fácil conseguir dormir. E quando durmo, é tudo tão profundo que eu desligo desse mundo. E meus sonhos se tornam banais. Afinal, eu vivo de sonhar acordado. Minha imaginação já anda preguiçosa, talvez porque já não tenha mais o que imaginar.
Nesse exato momento eu estou perdido. Entre dois mundos. Estou boiando em pleno oceano Atlântico. Nem lá, nem cá. Há muito já deixei esse lado, mas ainda vai demorar um pouco para chegar ao lado de lá. Já deixei de lado os meus amigos, já morri da minha vida nesse mundo, já fui embora e já apaguei a luz. Mas meu corpo continua, como se ainda tivesse uma missão a ser cumprida. E eu não sei qual é, faço nem idéia. Só tenho idéia que tudo isso, essa solidão, esse isolamento, essa inveja das pessoas que vivem, tudo isso é minha culpa. Ou será que eu só decidi jogar a toalha e ir embora porque fui isolado e decidi tentar algo melhor?
Uma vida melhor é sempre tentadora, e a possibilidade de começar do zero é quase como ganhar na megasena. Ou isso é mais uma péssima metáfora, sei lá. Só que antes do próximo marco zero, enquanto flutuo sobre as ondas em algum lugar entre São Pedro e São Paulo, preciso descobrir se e o que há de errado comigo. Para que na vida nova tudo seja diferente. É o que eu tenho tentado sonhar. É o que eu vou tentar alcançar. E é onde eu tenho mais medo de falhar. E não adianta tentar prever, isso me daria mais insônia e mais fios brancos. Como se eu já não os tivesse o suficiente.
Ou como se alguém se importasse... Ah sim, Michele e Floquinho. Esse se importam, e muito. Esses veem de verdade, enxergam a alma. Nos enxergam vivos mesmo quando mortos. E são eles os que vão sentir de verdade a minha morte. Talvez já até esteja morto, e talvez por isso só os cachorros conseguem me ver.

sábado, 16 de outubro de 2010

Tragicomédia

Sabe, demorou um bocado pra eu esquecer, e algumas vezes eu ainda não tenho certeza que eu esqueci totalmente. Mas são em alguns lapsos de momento que eu percebo que não vale a pena sentir o que eu sinto. Nunca valeu, pra falar a verdade. As músicas que me fazem lembrar de você falam de sentimentos tão mais fortes do que aqueles eu eu senti por você e você sentiu por mim. Se é que você sentiu alguma coisa por mim alguma vez. Ando duvidando disso.
Eu era alguém diferente naquela época, eu ainda não sabia de nada. Como eu era naive. Chega a ser engraçado, se parar pra pensar talvez eu dê risadas. Porque esse é o único sentimento que ainda vale a pena ter por nós... Rir, gargalhar. Que bobagem foi tudo aquilo. Uma tragédia, que de tão trágica que se tornou engraçada.
Não vale a pena, nunca valeu. Anos me prenderam em algo que, de repente e do nada, eu percebi que é uma idiotice. E eu perdi muito tempo... Mas vai saber se eu chegaria aqui nessa música e nessa taça de vinho se nada disso tiver acontecido. Vai saber...

É engraçado. Tô gargalhando aqui.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Wake up alone

Onibus da gardenia, carros de policia, musicas no meu itunes. Tudo tem me lembrado de vc. Uma lembrança - ao mesmo tempo - boa e ruim. Como aquela música que me deixa feliz e ao mesmo tempo triste. Não sei explicar, não sei entender. Só sei que acontece assim.
Acho que foi o tempo que mudou, esse frio, tempo nublado, a vontade de ficar agarrado na cama. Acho que isso me fez sentir saudade. Saudade daquela época onde eu tinha você, e mesmo assim acordava sozinho todo dia. Você era uma ideia, muito mais que alguém presente. De carne e osso. Você era o meu amor, refletido.
Agora nem mesmo a ideia de ter você por perto eu tenho mais. E por mais que esteja rodeado de uma multidão, as vezes eu me sinto sozinho. Fui eu quem quis assim. Fui eu que estraguei tudo. Porque, como a maioria dos humanos normais, eu nunca consigo estar satisfeito com o que eu tenho agora. Eu sempre procuro o diferente. O que é impossível.
Eu não quero voltar. Vivo de hoje em diante, sempre foi assim, sempre será. Eu queria que tivesse sido diferente dessa vez. Não foi, fazer o que? Tenho saudade de quando éramos felizes. Mesmo vivendo uma felicidade distante. Uma felicidade eletrônica. Mesmo sozinho, eu tinha alguém. Eu tinha você.
Eu tento encher meu tempo e minha cabeça, eu tento me apaixonar irresponsavelmente, eu tenho continuar a viver. A vida continua, eu continuo. Tudo continua. E tudo passar, e isso também vai passar uma hora.

but I still wake up alone.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Quando um bom coração infarta

Que eu sou bonzinho, isso eu já sabia. Que eu deixo as pessoas pisarem em mim e abro mão do meu orgulho em nome de uma amizade, old news as well. No entanto, o mais óbvio foi o que me levou mais tempo para perceber: as pessoas são descartáveis. Como aquelas coisas velhas, que todo mundo diz "joga isso fora, tá velho. Assim você consegue coisas novas". Isso também se aplica as pessoas, definitivamente.
No fundo, somos interessantes aos outros quando os tais outros tem algum tipo de interesse envolvido. Claro, nada é de graça. Só que isso se aplica a amizades em geral. Ou às relações humanas, sei lá. O que agora sei é que, não importa o quão legal você seja, o quão bom amigo, presente, atencioso (e mais um monte de características "looser"), você acabará sendo trocado por algo ou alguém mais interessante. Não importa se foi um deslize, uma frase que vc deixou de dizer, uma festa que vc deixou de ir... Não importa se você foi o cara mais bacana do mundo desde antes do seu "amigo" nascer... Nada importa, você já foi trocado por outra coisa. Sim, no fundo não passamos de coisas.
Talvez como uma defesa, estou aprendendo a abrir mão das pessoas. A saber a hora de desistir de alguém, de desistir de lutar por uma amizade. E quando eu digo desistir, eu quero dizer deixar de aguentar de um tudo, engolir seco, contar até dez e correr atras com aquelas célebres palavras: não vamos ficar assim, somos amigos (e etc). Hoje eu tenho a capacidade de entender que pode ter sido muito bom enquanto durou, mas as amizades são como namoros - passam por altos e baixos e eventualmente acabam.
Pensando nisso eu abro a geladeira da loja em que fui, para comprar refrigerante, pensando se comprava coca ou pepsi. E daí eu me lembro que meu pai está em casa, veio visitar. E meu pai detesta refrigerante de cola, mas adora guaraná antartica. Eu trago guaraná antartica pra casa. Porque há pessoas - e não coisas - que ainda valem a pena.