terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Lado B

Eu nunca fui de mendigar nada na vida. Eu sempre me dei muito bem com a solidão. E eu estou indo embora. Com essas 3 frases eu recomeço a escrever. Tive um momento de fraqueza, mas ele passou correndo e ventando. O quê? Reclamar de ter sido abandonado? Isso é no mínimo injusto com os montes de pessoas que gostam e realmente se importam comigo! Não, não fui abandonado e não morri ainda. Estou vivo, vivíssimo! Continuo nesse mundo, mesmo quando a minha cabeça viaja para outros. E se você não me considera mais, caguei. Para cada você tem pelo menos 3 outros que gostam de mim e fazem questão de mostrar isso a cada segundo.
Eu estou indo embora, então da mesma forma que os meu tempo aqui está acabando, o seu tempo comigo também está acabando. E eu tenho certeza que você vai sentir minha falta! Daí, quando eu estiver longe e só a internet puder me alcançar, nem me venha com saudades e chorumelas Você teve o seu tempo e não soube aproveitar. E não venha me dizer que fui eu que me isolei, porque mesmo que isso tivesse acontecido, seria o seu papel me trazer de volta.
Eu vou embora com a cabeça erguida, eu fiz o possível e o impossível. Por tudo, por todos. Só que chegou a minha hora, e aqui não tem mais nada pra mim. Vou levar todo mundo no meu coração e prometo voltar, talvez só pra visitar, talvez volte de vez e daqui nunca mais saia. Isso tá no futuro, e eu ainda não aprendi a usar minha bola de cristal. Só sei falar do presente. E no presente momento eu estou no mesmo local. Por pouco tempo.

E quando eu digo você, é pra você que sentiu a carapuça servindo... Não necessariamente um só.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Círculo vicioso

Pode-se dizer que eu fui isolado, mas uma contra-argumentação facilmente diria que eu quis me isolar. Já aconteceu, inclusive. Eu não sei quem começou o que, sei que eu cheguei no nada. Todo mundo ao meu redor está vivendo uma vida que não me existe. Eu deixei de existir na vida dos outros, e de certa forma deixei de existir também na minha vida. Ou, em termos leigos, deixei a minha vida fluir por mim. As horas, os dias, tudo passa. E eu continuo parado na inércia. Sem dinheiro, sem perspectiva, sem companhia. Somente com os meus cachorros. E com os meus sonhos.
Não, nem sonhos mais eu tenho. Não tem sido fácil conseguir dormir. E quando durmo, é tudo tão profundo que eu desligo desse mundo. E meus sonhos se tornam banais. Afinal, eu vivo de sonhar acordado. Minha imaginação já anda preguiçosa, talvez porque já não tenha mais o que imaginar.
Nesse exato momento eu estou perdido. Entre dois mundos. Estou boiando em pleno oceano Atlântico. Nem lá, nem cá. Há muito já deixei esse lado, mas ainda vai demorar um pouco para chegar ao lado de lá. Já deixei de lado os meus amigos, já morri da minha vida nesse mundo, já fui embora e já apaguei a luz. Mas meu corpo continua, como se ainda tivesse uma missão a ser cumprida. E eu não sei qual é, faço nem idéia. Só tenho idéia que tudo isso, essa solidão, esse isolamento, essa inveja das pessoas que vivem, tudo isso é minha culpa. Ou será que eu só decidi jogar a toalha e ir embora porque fui isolado e decidi tentar algo melhor?
Uma vida melhor é sempre tentadora, e a possibilidade de começar do zero é quase como ganhar na megasena. Ou isso é mais uma péssima metáfora, sei lá. Só que antes do próximo marco zero, enquanto flutuo sobre as ondas em algum lugar entre São Pedro e São Paulo, preciso descobrir se e o que há de errado comigo. Para que na vida nova tudo seja diferente. É o que eu tenho tentado sonhar. É o que eu vou tentar alcançar. E é onde eu tenho mais medo de falhar. E não adianta tentar prever, isso me daria mais insônia e mais fios brancos. Como se eu já não os tivesse o suficiente.
Ou como se alguém se importasse... Ah sim, Michele e Floquinho. Esse se importam, e muito. Esses veem de verdade, enxergam a alma. Nos enxergam vivos mesmo quando mortos. E são eles os que vão sentir de verdade a minha morte. Talvez já até esteja morto, e talvez por isso só os cachorros conseguem me ver.

sábado, 16 de outubro de 2010

Tragicomédia

Sabe, demorou um bocado pra eu esquecer, e algumas vezes eu ainda não tenho certeza que eu esqueci totalmente. Mas são em alguns lapsos de momento que eu percebo que não vale a pena sentir o que eu sinto. Nunca valeu, pra falar a verdade. As músicas que me fazem lembrar de você falam de sentimentos tão mais fortes do que aqueles eu eu senti por você e você sentiu por mim. Se é que você sentiu alguma coisa por mim alguma vez. Ando duvidando disso.
Eu era alguém diferente naquela época, eu ainda não sabia de nada. Como eu era naive. Chega a ser engraçado, se parar pra pensar talvez eu dê risadas. Porque esse é o único sentimento que ainda vale a pena ter por nós... Rir, gargalhar. Que bobagem foi tudo aquilo. Uma tragédia, que de tão trágica que se tornou engraçada.
Não vale a pena, nunca valeu. Anos me prenderam em algo que, de repente e do nada, eu percebi que é uma idiotice. E eu perdi muito tempo... Mas vai saber se eu chegaria aqui nessa música e nessa taça de vinho se nada disso tiver acontecido. Vai saber...

É engraçado. Tô gargalhando aqui.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Wake up alone

Onibus da gardenia, carros de policia, musicas no meu itunes. Tudo tem me lembrado de vc. Uma lembrança - ao mesmo tempo - boa e ruim. Como aquela música que me deixa feliz e ao mesmo tempo triste. Não sei explicar, não sei entender. Só sei que acontece assim.
Acho que foi o tempo que mudou, esse frio, tempo nublado, a vontade de ficar agarrado na cama. Acho que isso me fez sentir saudade. Saudade daquela época onde eu tinha você, e mesmo assim acordava sozinho todo dia. Você era uma ideia, muito mais que alguém presente. De carne e osso. Você era o meu amor, refletido.
Agora nem mesmo a ideia de ter você por perto eu tenho mais. E por mais que esteja rodeado de uma multidão, as vezes eu me sinto sozinho. Fui eu quem quis assim. Fui eu que estraguei tudo. Porque, como a maioria dos humanos normais, eu nunca consigo estar satisfeito com o que eu tenho agora. Eu sempre procuro o diferente. O que é impossível.
Eu não quero voltar. Vivo de hoje em diante, sempre foi assim, sempre será. Eu queria que tivesse sido diferente dessa vez. Não foi, fazer o que? Tenho saudade de quando éramos felizes. Mesmo vivendo uma felicidade distante. Uma felicidade eletrônica. Mesmo sozinho, eu tinha alguém. Eu tinha você.
Eu tento encher meu tempo e minha cabeça, eu tento me apaixonar irresponsavelmente, eu tenho continuar a viver. A vida continua, eu continuo. Tudo continua. E tudo passar, e isso também vai passar uma hora.

but I still wake up alone.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Quando um bom coração infarta

Que eu sou bonzinho, isso eu já sabia. Que eu deixo as pessoas pisarem em mim e abro mão do meu orgulho em nome de uma amizade, old news as well. No entanto, o mais óbvio foi o que me levou mais tempo para perceber: as pessoas são descartáveis. Como aquelas coisas velhas, que todo mundo diz "joga isso fora, tá velho. Assim você consegue coisas novas". Isso também se aplica as pessoas, definitivamente.
No fundo, somos interessantes aos outros quando os tais outros tem algum tipo de interesse envolvido. Claro, nada é de graça. Só que isso se aplica a amizades em geral. Ou às relações humanas, sei lá. O que agora sei é que, não importa o quão legal você seja, o quão bom amigo, presente, atencioso (e mais um monte de características "looser"), você acabará sendo trocado por algo ou alguém mais interessante. Não importa se foi um deslize, uma frase que vc deixou de dizer, uma festa que vc deixou de ir... Não importa se você foi o cara mais bacana do mundo desde antes do seu "amigo" nascer... Nada importa, você já foi trocado por outra coisa. Sim, no fundo não passamos de coisas.
Talvez como uma defesa, estou aprendendo a abrir mão das pessoas. A saber a hora de desistir de alguém, de desistir de lutar por uma amizade. E quando eu digo desistir, eu quero dizer deixar de aguentar de um tudo, engolir seco, contar até dez e correr atras com aquelas célebres palavras: não vamos ficar assim, somos amigos (e etc). Hoje eu tenho a capacidade de entender que pode ter sido muito bom enquanto durou, mas as amizades são como namoros - passam por altos e baixos e eventualmente acabam.
Pensando nisso eu abro a geladeira da loja em que fui, para comprar refrigerante, pensando se comprava coca ou pepsi. E daí eu me lembro que meu pai está em casa, veio visitar. E meu pai detesta refrigerante de cola, mas adora guaraná antartica. Eu trago guaraná antartica pra casa. Porque há pessoas - e não coisas - que ainda valem a pena.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Primeiros tijolos

Eu nao sou expert em engenharia ou arquitetura, mas sei que qualquer obra começa com um estudo, com cálculos e desenho de plantas, captação de investimentos e etc. Em seguida vem a pré-produção, que inclui a compra de materiais, contratação de pessoal, planejamento... Quando o primeiro tijolo é colocado no local, o pessoal costuma chamar de pedra fundamental e fazer uma cerimonia que comemora a construção oficialmente. Mas muito já tem sido feito antes da pedra fundamental ter sido lançada. E a tal pedra fundamental não garante que a obra vai ser concluida, ou sequer que vai sair dessa condição - simples pedra.
Eu não saberia dizer ao certo qual foi a minha pedra fundamental. Mas estou naquela fase dos primeiros tijolos. Estou começando a passar os planos da cabeça para a vida real. É um começo muito tímido, afinal uns 80% dependem de conseguir vender meu carro em tempo, sem isso a minha pedra fundamental vai ficar só na pedra mesmo. E mesmo para a venda do meu carro eu já estou construindo os primeiros tijolos. Já regularizei o IPVA - licenciamento - seguro e essa semana começo a revisão geral. Vai ser cara e demorada, e não porque o carro está com problemas, mas porque quero deixá-lo ótimo pra quem for comprar. Não curto de forma alguma a ideia de enganar alguém, maquiar o carro pra que traga problema pro futuro usuário. E afinal, esse carro me trouxe muita coisa boa, espero que essa energia passe pra quem adquiri-lo.
O carro, como eu já disse, é a maior parte do plano, mas ainda tem outras partes. E estou também trabalhando nessas outras partes, devagarzinho. Colocando tijolo por tijolo. E acho que num tempo hábil - e mais ou menos como programado - eu vou conseguir pegar o meu caminho de casa. Da minha nova casa. Ainda tem muito o que fazer, a construção ainda está no começo. Mas pouco a pouco eu consigo enxergar o resultado final. E eu acho que vai ficar muito bom!

Em tempo: tem algo que não vai ter como resolver... Algo chamado Michele. E isso vai ser foda.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

(mais) Um plano pro futuro

Tudo tem um fim, isso é uma verdade universal. Muitas vezes é impossível de enxergar, mesmo que esteja batendo na sua cara. Confesso que tenho dificuldade de enxergar um futuro pós determinada coisa. Como vai ser minha vida depois desse emprego? Depois desse relacionamento? Depois dessa cidade? Tenho a tendência de fantasiar o futuro, mas não consigo realmente enxergar como ele vai ser depois de uma etapa cumprida. Na verdade, tenho dificuldade em cumprir uma etapa. Fechar um ciclo.
Uma hora aquilo vai acabar. Pode demorar, pode terminar na minha morte. Mas vai terminar, isso com certeza. Mas eu acabo tomando as coisas como "pra sempre". Vejo outras pessoas que mudam de emprego, de namorado, de amigos, de vida... E fazem isso com uma facilidade invejável. Eu acho dificílimo. Me agarro até o último minuto, me apego a qualquer fio de esperança. Como se tivesse um medo imenso de trocar o certo pelo duvidoso, de me jogar no desconhecido. Isso é insegurança, pura e simples insegurança. E por mais que eu pareça alguém avesso a estabilidade, no fundo sempre estou correndo atrás dela.
E quando isso se torna ruim? Quando eu me acomodo com o presente e passo a viver no sonho de um futuro melhor. Como se eu tivesse me condicionado a estar em algo ruim esperando que algo de bom aconteça. E quando acontece, eu me agarro naquilo pra desenhar meu próximo sonho. E aquilo que era meu ideal de vida virou algo comum e desinteressante. Faço planos, sonho acordado. E to sempre buscando a felicidade. Como se eu sempre estivesse na véspera de ser feliz. Como se eu chegasse no alto da montanha e visse outra mais alta, e descobrisse que a felicidade ainda não chegou.
Tá certo, a natureza humana é de insatisfação, e isso é o que nos move a buscar novos ideais e continuar a respirar. Mas tudo que é demais sobra... E, como num paradoxo, acabo me acomodando pelo fato de que é só esperar pois algo enorme está para acontece. Algo enorme sempre estará pra acontecer, mas não é por isso que eu não posso ser feliz agora, com o que eu tenho. Ou então jogar tudo pro alto e fazer agora o que eu ando planejando para o futuro. O futuro pode ser agora. Basta só remexer o esqueleto, fazer acontecer. Doa a quem doer. Custe o que custar.

Pra que talvez um dia a felicidade não seja mais tão clandestina pra mim.